Entrevistas e matérias
Entrevista com Edson De Paula para a Revista Metrópole (Jornal Correio Popular de Campinas SP)
Publicada em 30 de maio de 2010:
O monstro na platéia (Por Janete Trevisani)

Desafio: muitos profissionais procuram especialistas para vencer o medo de enfrentar plateias. Até estadistas famosos treinaram muito para aprimorar a retórica. Parece mentira, mas muitos profissionais da comunicação morrem de medo de falar em público. Recentemente, durante uma palestra do módulo A globalização é feminina?, no Café Filosófico da CPFL, a jornalista Mônica Waldvogel, conhecida pelo programa Saia Justa, telejornais e outros programas, confessou ter pavor de enfrentar plateias. Também a premiada repórter Eliane Brum já admitiu sentir um certo desconforto nessas ocasiões. Como encarar o problema? Cada um encontra uma saída, mas tem muita gente fazendo cursos e workshops para vencer a paúra. Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostra que apenas 7% do impacto provocado no público vem da parte verbal da apresentação. O que mais cativa é a voz (38%) e linguagem corporal (55%). Não ser arrogante é prerrogativa a ser levada a sério, talvez por isso a competente e suave Mônica Waldvogel tenha se dado tão bem na palestra. Foi simples, segura e verdadeira. Venceu a saia-justa ao esconder seus pontos fracos e explorar os fortes. O americano Jack Valenti, no livro A Fácil Arte de Falar em Público, conta que este é um ofício que se aprende. Em 1956, ao ouvir o ex-presidente americano John F. Kennedy discursar pela primeira vez, lembra que o político ainda ignorava a retórica e a eloquência. Usava uma pronúncia esquisita, deixava a cabeça inclinada e ficava mergulhado nas palavras do discurso. Mas Kennedy evoluiu e começou a usar algo a seu favor: o bom humor.
O autor cita um outro estadista americano que era bom de retórica: o inglês Winston Churchill, considerado um dos maiores oradores da história. Foi ele quem orientou o também presidente Eisenhower: “Jamais confie em sua memória.” Também sugeriu que o político não deixasse de usar óculos: “Óculos grandes e redondos que possa tirar e sacudir no rosto da plateia. E, se tiver anotações, não tente escondê-las. Sacuda-as também na cara deles”, dizia.
Para melhorar a performance:
Em muitas listas de medos, o de falar em público aparece em primeiro lugar, na frente até da morte. O consultor Edson de Paula, que ministra workshops sobre o assunto, destaca quatro pontos do pavor que alguns palestrantes têm na hora de enfrentar plateias: desconforto, emoções, movimento e técnica.
DESCONFORTO
“Falar em público é, comprovadamente, de acordo com várias pesquisas já realizadas e amplamente divulgadas pela mídia, um dos maiores medos do ser humano, variando apenas o grau de intensidade de pessoa para pessoa. Existem aqueles que, literalmente, travam na hora de falar ou expor suas ideias publicamente. Mesmo um palestrante tarimbado não irá negar que sente aquele friozinho incômodo no estômago antes de ficar diante de uma plateia. É inegável a sensação de desconforto causada quando estamos totalmente expostos, sendo o centro das atenções, ainda mais se tivermos um holofote nos iluminando num palco. E nem precisa ser um palco para sentirmos esse desconforto; pode ser até numa reunião de negócios, ou mesmo numa ocasião social, quando estamos cercados de familiares e amigos. Eu costumo dizer que só há uma maneira de enfrentar o medo, que é você ter a real consciência do seu limite e, a partir desse ponto, através de muita disciplina e determinação, ir se desafiando aos poucos para vencê-lo, por meio do controle de suas emoções. Existem hoje, inúmeras alternativas, desde processos como coaching e terapia comportamental a treinamentos específicos para melhorar a performance de comunicação interpessoal.”
EMOÇÕES
“O cantor Roberto Carlos costuma dizer que, desde o início de sua carreira, sente essa mesma emoção todas as vezes que está prestes a entrar no palco. Esse pavor nada mais é do que a sensação que você tem ao praticar algum esporte radical ou quando está exposto a uma situação conflitante. Nas situações do dia a dia, ao qual somos desafiados ou expostos, vivenciamos as sensações de medo, alegria, euforia e com o tempo até de prazer, pois nossos neurotransmissores, que são os responsáveis pelo equilíbrio mental e fisiológico, acabam liberando certas enzimas e endorfinas que estimulam e aceleram o metabolismo em tais situações. Quando isso acontece, sentimos o coração disparar, a temperatura do corpo cair, entre outras sensações físicas. É nesse momento que precisamos aprender a nos conhecer melhor, para, a partir desse ponto, superar os limites com muito respeito e consciência.”
MOVIMENTO
“O medo pode ser o nosso maior aliado ou nosso pior inimigo e devemos respeitá-lo, mas não aceitá-lo. Quando você tem consciência de seus medos, o que precisa fazer é negociar com eles, fazendo uma avaliação muito criteriosa de tudo o que ganha ou perde quando sustenta seus limites. O medo está diretamente ligado às nossas emoções e não é um processo racional ou lógico. Portanto, quando pensamos em algo que nos assusta ou desconforta, geramos naturalmente um sentimento ou sensação que reflete diretamente no nosso comportamento. O medo pode gerar três comportamentos básicos: a fuga, a inércia ou o movimento. Ao decidir movimentar-se para dominar o medo, é necessário que você se conheça profundamente, ou seja, precisa obter o autoconhecimento dos seus limites e também dos recursos e capacidades para, aos poucos, aprender a controlar e transformar suas emoções em resultados positivos.”
TÉCNICAS
“Como coach, tenho desenvolvido alguns trabalhos específicos com clientes que possuem dificuldades de negociação e comunicação interpessoal. O processo de coaching é uma poderosa ferramenta para auxiliar o autoconhecimento, pois trabalha com foco, ação, resultado e melhoria contínua. São utilizadas várias técnicas, como programação neurolinguística, inteligência emocional, coaching comportamental que, basicamente, fazem com que você resignifique seus limites e aprimore os próprios recursos através do autoconhecimento. São utilizados também alguns exercícios de repetição e dinâmicas vivenciais de moderação e controle emocional para que você, aos poucos, vá se sentindo mais confortável diante do público e não seja lançado diretamente na ‘cova dos leões’. Num workshop, aprende-se brincando, de maneira lúdica, aliando técnicas comportamentais com dinâmicas vivenciais. Os resultados são significativos, pois tudo é amparado e respaldado no exato momento em que é identificado um limite na comunicação, através de feedbacks pontuais e corretivos, ajustando positivamente a performance de comunicação. Num workshop, você toma consciência da necessidade de dominar o assunto, assim como técnicas de posicionamento e postura, linguagem e comunicação adequadas, além da eliminação de gestos desnecessários e do bom uso do controle respiratório e da arte de cativar as pessoas com o olhar. Para se comunicar é necessário agir com naturalidade, passar confiança e credibilidade no assunto. Mas nada disso será válido se não praticar constantemente.”
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