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Conheça a filosofia existente na história do coaching moderno

O conceito de coaching é tão antigo quanto o entendimento histórico da existência humana. Desde os primórdios da humanidade percebemos um interesse genuino do homem em transferir seus conhecimentos seja pela arte, história, filosofia ou ciências.

Quando perguntamos, filosoficamente, à alguém “Qual é o sentido da vida?”, estamos, portanto, “fazendo coaching”. Quando desafiamos alguém a ser mais e melhor, ou a pensar mais e melhor sobre um determinado assunto, estamos também “fazendo coaching”.

Mas, quando pesquisamos a resposta para “Quando surgiu o coaching?” verificamos que a história é menos importante que a filosofia inserida nela. Então, como tudo começou?

Inicialmente, vamos nos apegar essencialmente na origem inglesa da palavra “coach” com significado, simplesmente de “carruagem”. Essa carruagem, no sentido original da palavra coach, é um meio de transporte puxado por cavalos, inventado em meados do século XV na cidade húngara de Kócs, uma rota muito conhecida por todos os viajantes que transitavam pela Europa e, por isso, tornou-se notória pela fabricação desses primeiros veículos de luxo cobiçados pela seu conforto e segurança.

Essa é a primeira analogia entre a história e o processo de coaching moderno, entre a carruagem e seu condutor também chamado, curiosamente, no Brasil como “cocheiro”. Filosoficamente, então, o processo de coaching “conduzirá” uma pessoa a se descobrir, encontrando qual é o melhor caminho a ser seguido e, com isso, irá aprender muito durante essa viagem. É, acima de tudo, uma uma viagem de autoconhecimento, expressada na célebre frase de Sócrates, “Conheça-te a ti mesmo”. Esse é o maior desafio do ser humano: Enfrentar seus próprios limites, vencendo a si mesmo. O processo de coaching propicia a consciência de qual caminho uma pessoa deseja seguir e, desse modo, quando escolhe, toma a decisão assumindo responsabilidade pela viagem e por todo aprendizado oferecido, seja bom ou ruim.

Do século XV damos agora um salto para o século XVII, onde novamente o termo coaching foi utilizado para definir o trabalho de tutoria na Universidade de Oxford, na Inglaterra. O papel do tutor, também chamado de coach era, essencialmente, aprimorar, melhorar e preparar os alunos para os exames. Ao fazer isso, o tutor antecipava os resultados positivos nas provas dos seus alunos, pois apresentava todas as possibilidades de erros e acertos, treinando-os para o sucesso. Analogamente, o processo de coaching moderno propicia aos seus clientes uma antecipação de possíveis desafios a serem vencidos e também maximiza o desempenho pelo treino constante de novas habilidades importantes para o alcance de um objetivo.

Do século XVII damos mais um salto para o início do século XX. Agora é a vez dos coaches, os primeiros treinadores de clubes esportivos e dos instrutores dos atletas das universidades norte-americanas, especialmente em esportes coletivos como futebol americano, volei, basquete, entre outros. O papel desse novo modelo de coach esportivo é dar todo o suporte necessário para seu time atingir um objetivo comum, desenvolvendo habilidades individuais e coletivas, alinhando talentos com posições, ou seja, o jogador certo para a posição certa.

Nesse conceito, podemos comparar também o trabalho do coach moderno: Durante o processo, auxiliará seu cliente a identificar quais são seus pontos fortes e também os pontos a serem aprimorados, adquirindo as habilidades necessárias para ocupar uma posição mais elevada na sua vida pessoal e profissional. O coaching é utilizado para o aumento de performance individual e coletiva. Aumentar a performance, portanto, é elevar potencialidades e diminuir, expressivamente, as possíveis interferências que poderão afastar o sucesso no alcance de um objetivo.

Mas, quando surgiu esse “coaching moderno”? Existem várias correntes de pesquisas sobre o assunto e parece existir um senso comum histórico entre elas apontando para uma possível origem. Foi na década de 70 que a história do coaching começou a ser desenhada por Timothy Gallwey, um ex-tenista profissional da Califórnia.

Ele percebeu que suas instruções de comando e controle sofriam mais interferências internas do que externas por parte dos seus alunos. Quando questionou seus alunos sobre essas interferências, percebeu uma espécie de “jogo interior” que acontecia na mente deles interferindo substancialmente no seu rendimento externo ou no seu “jogo externo” e isso impedia-os de focar sua atenção nos comandos e técnicas que o treinador, no caso Tim, insistia em treiná-los da maneira convencional.

Com isso, iniciou um novo processo de treinamento que visava muito mais explorar as possibilidades e maneiras de disciplinar a mente do seu aluno na observação direta de como transformar um treino metódico e extenuante em um processo divertido, uma “experiência real de aprendizado”, a partir da sua própria vontade de aprender e se desenvolver. Com essa nova forma de ensinar tênis, Tim Gallwey começou a treinar também tenistas amadores e até empresários para desenvolver naturalmente habilidades na prática do tênis com a menor interferência possível por parte do treinador.

Em 1974, Gallwey compilaria todas suas experiências e resultados surpreendentes dessa “nova forma de treinar” em um livro intitulado “The inner game of tennis”. Sobre esse jogo interior, Tim escreveu: “Em cada esforço humano há duas arenas de combate: a externa e o interna. O jogo exterior é jogado em uma arena externa para superar obstáculos externos para alcançar um objetivo externo. O jogo interior ocorre dentro da mente do jogador e é jogado contra obstáculos como o medo, a insegurança, lapsos de concentração e conceitos ou suposições limitantes. O jogo interno é jogado para superar os obstáculos auto-impostos que impedem uma pessoa ou equipe de acessar todo o seu potencial.”

Timothy Gallwey definiu coaching como sendo “uma relação de parceria que libera o potencial das pessoas de forma a maximizar o desempenho delas. É ajudá-las a aprender ao invés de ensinar algo a elas”.

Em meados da década de 80, alguns programas de treinamento para executivos incluíram o conceito de coaching ao mundo dos negócios e utilizaram o modelo de Gallwey como fonte de inspiração. Historicamente, a evolução do coaching moderno foi influenciada por várias abordagens, incluindo técnicas de desenvolvimento pessoal, andragogia, psicologia positiva, teorias organizacionais e até a estratégia militar, entre outras.

Finalmente, em meados da década de 90, Tim Gallwey fez uma parceria importante com John Whitmore, influente consultor de negócios da Inglaterra e autor do livro “Coaching para Performance”, para ajustar esse conceito de forma mais efetiva ao mundo corporativo.

Gallwey e Whitmore acabaram desenvolvendo um novo método de aprendizagem, cujo desenho básico foi, originalmente, o de desenvolver e treinar potencialidades de um indivíduo para o alcance de um objetivo de forma leve e sustentável: Ao eliminar as interferências do “jogo interno”, dos seus julgamentos, do seu senso crítico e, ao perceber suas melhores potencialidades, aumenta-se, expressivamente as chances de se obter o sucesso.

Hoje, o coaching é composto de ferramentas e técnicas destinadas a gerir o aumento da eficácia pela definição clara de competências e objetivos, bem como o desenho de um plano de ação detalhado que sera suportado pelo coach durante o processo. É uma filosofia de vida que vem sendo implementada constantemente por novos conceitos e técnicas. Há cada ano surgem novas abordagens de metodologias que otimizam ainda mais os resultados obtidos pelos clientes. Enquanto existir a vontade de aprender, existirá também alguém disposto a ensinar alguém a aprender. Isso define a filosofia do coaching.


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