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Não consigo parar de comprar... E agora?

Se você está gastando, no mínimo, o dobro daquilo que ganha e está se endividando, possui objetos duplicados no seu guarda-roupas ou nas suas coleções, se irrita facilmente quando não consegue comprar algo ou sente que precisa preencher seu tempo “batendo pernas” em um shopping e ainda fica com aquele sentimento de culpa desconcertante, tome cuidado: Você tem todos os sinais da oniomania ou distúrbio de compulsão por compras.

É preciso entender que o ato de comprar algo por necessidade ou que traga algum prazer momentâneo desde que se utilize do senso crítico de realidade é um padrão aceitável e não pode ser jamais confundido com compulsão por compras.

A saber: Quem compra por compulsão perde o senso crítico da realidade que o cerca e acaba comprando independentemente de necessidade ou desejo. É apenas um impulso inconsciente e, muitas vezes, quase incontrolável que conduz alguém a comprar algo e, consequentemente, perceber que nem necessitava e ainda ficar carregando culpa e dívidas que vão se acumulando com o passar do tempo, causando sofrimento e prejuízo para si e para os outros.

Na maioria dos casos, este vício compulsivo por compras pode estar ligado à questões emocionais mais profundas como privações na infância, sentimentos de solidão, frustração, abandono, infelicidade, entre outros que precisam ser compensados pelas compras que dão uma falsa sensação do preenchimento de um “vazio interno”.

Este mecanismo de compensação quando não bem equilibrado torna-se um ato inconsciente e faz com que a pessoa busque satisfazer sua necessidade de ser reconhecida ou aceita a qualquer custo e comprar é uma das maneiras de se autoafirmar no mundo moderno.

Vale reforçar que o atual contexto é altamente capitalista e, acima de tudo, consumista. As pessoas valem por aquilo que possuem e não por aquilo que acreditam ser, vivemos em um mundo que dita a falsa regra do “Quem pode mais, chora menos” e, portanto, o consumo se tornou também um valor social.

Existe uma busca desenfreada pelo status imediato de sermos aceitos como pessoas bem sucedidas na vida e, neste contexto, o sucesso comumente tem sido confundido com excesso e a elegância foi banalmente substituída pela extravagância.

Se este distúrbio não for tratado a tempo em sua fase inicial, os compradores compulsivos serão conduzidos à um labirinto fatal composto de dívidas, ansiedade e depressão.

Certa vez, tive uma cliente participando de um processo de coaching comportamental que percebeu estar entrando na porta deste labirinto mas, felizmente, se conscientizou a tempo de mudar seus hábitos. Em uma das nossas sessões descreveu o fato que despertou a sua intenção de mudar. Estava indo levar sua filha na escola, já estava atrasada e quando o semáforo fechou, sentiu-se frustrada e com raiva, pois momentos antes havia discutido com o marido sobre quem iria levar a filha ao colégio antes do trabalho. Durante todo o trajeto até a escola um diálogo interno cutucava sua mente: “Você não vai conseguir chegar a tempo!”. No mesmo instante olhou para o lado e uma vitrine de loja chamou sua atenção com a frase “Hoje Grande Queima de Estoque!” e, quando o semáforo abriu, não pensou duas vezes, virou rapidamente a esquina, estacionou o carro e disse para sua filha esperar no estacionamento pois iria dar apenas uma “olhadinha” na loja. Essa pequena “olhadinha” se transformou em quase 2 horas dentro daquela loja, comprou várias roupas e gastou quase todo o adiantamento do seu salário. Seu diálogo interno naquele momento era “Você trabalhou tanto, você merece!”. Foi no momento de passar seu cartão de crédito e ao olhar para seu relógio que seu coração disparou: “Meu Deus! Minha filha perdeu o horário da escola e eu do trabalho!”.

Até aquele momento, literalmente, ela havia apagado de sua mente seus compromissos e um sentimento de culpa tirou todo o prazer que havia tido no ato de comprar. Foi correndo ao estacionamento e sua filha já estava dormindo… Não houve outra solução: ambas retornaram para a casa, ela havia perdido a oportunidade de deixar sua filha na escola e não pode ir ao trabalho naquela manhã.

Resultado: Aquelas roupas acabaram não sendo utilizadas sequer uma vez.

Casos parecidos com o da minha cliente são comuns para pessoas que já possuem um certo impulso por compras, mas como ela percebeu isso em uma fase inicial e teve consciência e responsabilidade para trabalhar com mudanças de hábitos, os desafios foram superados com resultados altamente positivos. É importante ressaltar que casos extremos desta compulsão por compras deverão ser tratados com o auxílio de programas terapêuticos intensivos e até o com o uso de medicamentos para a efetividade do resultado.

Pessoas que possuem um impulso por compras precisam ter um cuidado especial para não transformar este impulso em uma compulsão, é preciso reconhecer que se está comprando apenas por comprar, sem ter uma necessidade real.

É preciso ser mais racional e menos emotivo no ato de comprar, saiba planejar suas compras antes de sair comprando e evite comprar quando sentir que está sobre efeito de estresse ou algum tipo de depressão.

Uma outra dica é pesquisar o preço antes e já sair para a compra com o dinheiro separado para esta intenção. Se possível, pague à vista, procurando se livrar dos cartões de créditos e dos cheques especiais. Outro grande vilão é o parcelamento do valor, mas se precisar parcelar esteja consciente de que será necessário saldar sua dívida antes de iniciar outra.

Substitua sua vontade de ir ao shopping por uma caminhada ou até uma academia, assim você ganha mais qualidade de vida e não gasta desnecessariamente. Seja humilde, saiba reconhecer seu limite elegendo uma pessoa de sua confiança para acompanhar você quando aquele impulso de comprar aparecer novamente e peça para que o auxilie na percepção da real necessidade da sua compra.

E quando aquela “vozinha cruel” do seu dialogo interno insistir em dizer para você “Compre! Você merece!”, negocie com ela dizendo “Seria muito bom eu comprar isso… Mas neste momento eu reconheço que não estou precisando” e assuma definitivamente o controle da situação. Lembre-se: “Você controla a compra antes que ela controle você!”.


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